Síndrome do sucesso
Antes de aparecer à existência (roto, mas digno) sou um sucesso, depois de vir a ser alguém já sou bem sucedido.
Desde então todos me desejam bons agouros para todo o sempre. Sou igualmente agraciado com toda essa forma lisonjeada de ser; superestimo igualmente a todos com sorrisos de complacência.
Nas reuniões casuais com pessoas triviais curvo-me à minha língua disparatada que anuncia a todos meus asseclas mil e uma palavras de bom combate todos os santos dias.
Estupefato sou com o desempenho da minha própria língua que discursa em benemérito do resto de mim.
É um carma difícil de retirar esta tal síndrome do bom agouro que se instala na alma sub-repticiamente, deslancha sem perder de vista e faz de mim um sujeito acima de qualquer suspeita.
É preciso dizer que uma só vez tive um desatino cruel em virtude dos meus pensamentos bem-aventurados.
Pensei que tudo se resumia à opinião dos outros. Então era como se o sucesso não me pertencesse naturalmente, mas estivesse na língua de outrem que sempre me desejou o sucesso que não podia ter.
Sucesso na vida, profissão, no amor, old friend!
Desalinhado, mas convicto das minhas qualificações, retirei minha roupa de super-star e dirigi-me à varanda.
T. M S
Escrito por Tiago às 20h03
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