Comentários rápidos
Para os admiradores do Estagirita:
Saiu uma edição do Órganon, em português, pela EDIPRO. A tradução é de Edson Bini. E, cá entre nós, está excelente.
Para os advogados que não leram Das categorias.
Aqueles que têm contato com as peças processuais e estragam-nas separando com vírgula verbo do predicado, ou expressão como “se, não, vejamos”.
Para a "pessoa humana":
A comunicação humana tornou-se o hiato entre o que se diz e o que se pensa. Normalmente não se diz e pensa-se disparatado.
Escrito por Tiago às 13h00
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Resquício de sobrevivência
Estou com a vida deveras ocupada. De vez em quando lotando de utilidades. Uma possibilidade de iniciação cientifica em Aristóteles, um estágio remunerado e os estudos na faculdade. Porém não esqueço dos parcos leitores. Disponibilizo para os sobreviventes uma reflexão mui saborosa sobre uma frase que surgiu numa aula de metodologia e aplicação do Direito. Divirtam-se.
“ Os padres e freiras da Amazônia, brasileiros ou não, funcionam como sentinelas da civilização em pedaços do Brasil onde o Poder Público não manda e sabe que não manda"
Elio de Gaspari.
Em verdade, padres e freiras não funcionam como “sentinelas da civilização” a serviço da ordem pública, se funcionassem deixariam de seguir o princípio da não- contradição, verdade aristotélica ainda vigente, de aspecto muito peculiar: uma coisa não pode ser outra coisa ao mesmo tempo. Já se conhece, portanto, a função do religioso: de não estar em contato como protetores da ordem pública, mas como entusiastas da ordem espiritual. E, no fundo, a última é mais importante. Não se faz ordem pública com supervisão total do Estado – tal situação beira ao totalitarismo-antes se possibilita a concretização de homens maduros, responsáveis, moralmente responsáveis. Homem ainda é gênero, sem o paliativo do politicamente correto. Ademais, o Poder Público não manda em totalidade, se mandasse oportunamente estaríamos a viver no mundo de 1984 de Orwell, no qual até as consciências são moldadas pelo Grande Irmão. Ainda: saber que não manda (o Estado) é omissão deliberada ou incapacidade administrativa? Nenhuma das anteriores, pela própria noção de Estado (Ele não é um deus na terra, como alguns idealistas acreditam) ; ou é intencionalidade mascarada ou limitação física: ele não pode tudo, pois é limitado; se deseja o ilimitado, passa a mascarar oportunidades em intenção de ser tudo.
Escrito por Tiago às 19h48
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