Politicamente incorreto


Ementa

Percebo pessoas maravilhadas pelo processo eleitoral de domingo  estão terminantemente afoitas por votar consciente, ou qualquer idéia semelhante; esperam oportunamente o aperto do botão e aquele barulho mágico da máquina eleitoral, o tin-ta-lar das esperanças.  Daí que pretendo começar a leitura do “ Humanismo Integral” do Maritain para esquecer tudo isso e continuar minha releitura de algumas poesias do Mundo como Idéia do Bruno Tolentino.

Reli “Lição de Modelagem” e percebi que a questão da Graça é mais complicada do que imaginava, pois há uma certa ideologia que teme o errar. Daí a poesia ser essencial para algumas asceses sem medida.

 ...

 

Ainda se alguns estão ansiosos pelo voto correto do domingo, em finalmente ser “cidadão” – esqueça qualquer identidade desse conceito com indivíduo – e em transformar as coisas, pretendo apenas contemplar certos olhos azuis enigmáticos que, a meu ver, são “todas as coisas possíveis” para um homem com sua mulher, num domingo à tarde.

 

 



Escrito por Tiago às 17h19
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Relendo o mundo como Idéia

NIHIL OBSTAT

Bruno Tolentino

I

 

Deus, que me deu a vontade de cantar,

antes de dar também Sua licença,

deu-me a grande lição da indiferença

e o gosto do silêncio, Seu solar.

E deu-me tempo de solenizar,

como quem se esvazia do que pensa,

a forma necessária do alguidar,

exato porque cheio dessa intensa

fragilidade de que nasce o canto;

e para que eu viesse a comparti-la,

fez-me partir em dois de vez em quando.

Ele entende de música e de argila,

faz primeiro o artesão, depois o cântaro,

que vai enchendo, sílaba por sílaba.

 

II

É preciso que a música aparente

no vaso harmonizado pelo oleiro

seja perfeitamente consistente

com o gesto interior, seu companheiro

e fazedor. O vaso encerra o cheiro

e os ritmos da terra e da semente

porque antes de ser forma foi primeiro

humildade de barro paciente.

Deus, que concebe o cântaro e o separa

da argila lentamente, foi fazendo

de meu aprendizado o Seu compêndio

de opacidades cada vez mais claras,

e com silêncios sempre mais esplêndidos

foi limando, aguçando o que escutara.

 



Escrito por Tiago às 21h01
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Fiz direitinho como receituário: tomei ANCINAV e você?

Cidadão brasileiro plenamente capaz acomete-se do surto atual eminente. Vou falar sobre política, poucos traços, já que a pauta é bem cansativa. O atual surto sem prognóstico em estatísticas oficiais é a decepção com os governantes. Sempre escutei pessoas dizendo “ votei no PT”, atualmente costumo a escutar arrependimentos no voto. As justificativas são as mais plausíveis, como por exemplo, o fato do Governo ser predominantemente centralizador. Digo-lhes, em verdade, que o Governo tem mania de descentralizar excessivamente também, pois temos nossas autarquias sempre vinculadas aos Ministérios.

 

Interessante notar que são as mesmas pessoas que leram no Aurélio sobre o “ socialismo” e viram “o que é” e desejaram  o socialismo desde criancinha, o fato é que agora elas reclamam demais do processo de socialização ser muito “ autoritário”;  pelo o que ouvi de algumas, sobre os projetos do Governo para regulamentação dos meios de comunicação. Mas o que é o socialismo senão o Grande Papaizão ditando regras de conduta  para seus afilhados, cidadãos? Verdade evidente, desde que Marx quis centralizar os “ meios de produção “ no Estado. Porém, a inteligência do partido brasileiro é mais sutil e perspicaz do que o Barbudão: vai se tomando aos poucos o controle das liberdades essenciais do ser humano. Daí, meu caro, bem vindo ao outro mundo possível.



Escrito por Tiago às 19h23
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...

TEMPO- SERÁ

Manuel Bandeira

A Eternidade está longe

( Menos longe que o estirão

Que existe entre o meu desejo,

E a palma de minha mão).

 

Um dia serei feliz?

Sim, mas não há de ser já:

A Eternidade está longe,

Brinca de tempo-será.



Escrito por Tiago às 21h37
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Escola do Povo

Popularidade representa ascese do político, logo – deveras -- importante para sociedades politicamente organizadas. O termo popular significa denominação de jornal comunitário: “Gazeta popular de bairro Tresmundão” e serve como propaganda de vereadores especialistas em clichês: vote no número com progressão aritmética e justiça social.

A idéia de popularidade impulsiona cada um: quem não quer ter um “ amigo” desconhecido no Orkut? Para os que conhecem a ferramenta: ter testemunhal de pessoas nas quais você não estabeleceu vínculo; verdadeiras fãs sem o saber. Popularidade, em sentido amplo e coercitivo, é coadunar-se com grandes personalidades dos livros de História, democratas convictos como Hitler, Mussolini e Stalin. Estabeleça-se concretamente, o fato de ter orkut ou um jornal comunitário não cria analogia com a admiração aos democratas.

Há uma obsessão por popularidade, a cacofonia vulgaridade persegue o mesmo padrão. O culto à imagem é a maneira de que o sujeito tem de ser analogicamente um  -- narcíseo --, sob supervisão de um espírito dionisíaco. Portanto, o lema para fugir dessa situação comum é procurar ser o antônimo, a medida do transcendente: digno quando se populariza o vício;  crer heroicamente quando se credita a crendice; amar com sacrifício no instante em que se instaura a lisonja ao umbigo e buscar sinceramente a Verdade, mesmo que seu colega  tenha opiniões e você não tem “ nada a ver com isso”.



Escrito por Tiago às 18h10
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Olha a Doxa.

Já algum tempo venho constatando certos argumentos clichês, ou lugar-comum de qualquer bom discurso “politicamente correto”. Expressões como: a história é contada por poucos; a imensa maioria (sic) que passa fome; situação social em que vivemos; a serviço do mercado; pensar o mundo; manipulações de classe, já se tornaram nova língua entre as pessoas, a tal ponto que se reproduz a idéia sem a consciência da mesma. Convenhamos que esse negócio de idéia já virou comum opinião, mas sequer isso é mencionado. Agora pergunte, a qualquer divulgador de discurso, se ele estudou profundamente qualquer contexto implícito de tais idéias ou ao menos sabe, de antemão, para que fins sejam. Simplesmente reproduzem como papagaios.



Escrito por Tiago às 13h46
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Por um instante esqueci o Decreto-Lei 200

Escuto que brasileiros não têm cultura livresca, apesar da generalidade. Chego a admitir que poucos a conhecem em sua inteireza; poucos lêem sequer alguma coisa, como jornais diários, muitos lêem absolutamente nada, como revistas de entretenimento e anúncios em outdoors.

Aos que sobram: alguns lêem factualmente o que está na moda, como Saramago, o próximo livro do Paulo Coelho ou qualquer sobre liderança, motivação e inteligência emocional. Encontrar sequer um que possua comichão cultural, sede por conhecimento sem pretensão, sobretudo leitor dos clássicos, que degusta um livro com primor, é situação rara e imprevisível.



Escrito por Tiago às 15h21
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Dia da Independência

Uma receita genuinamente brasileira:

 

ARROZ PREGUIÇA

Ingredientes


6 colheres (sopa) de azeite
1kg de frango temperado (cortado a passarinho)
3 dentes de alho (amassados)
1 cebola grande (picada)
1 colher (chá) de colorau
2 folhas de louro
2 xícaras (chá) de arroz
1 pimentão vermelho (picado)
1 pimentão verde (picado)
1 lata de milho verde
cheiro verde a gosto
2 tabletes de caldo de galinha
4 xícaras (chá) de água (fervente)

Modo de fazer

Em uma panela de pressão, aqueça o azeite, doure o frango, acrescente o alho e a cebola, o colorau, o louro e refogue o arroz. Acrescente o restante dos ingredientes. Feche a panela e quando abrir fervura cozinhe por 3 minutos. Abra a panela depois de 20 minutos.



Escrito por Tiago às 23h10
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Subindo um degrau no Castelo das Leis.

Vejam:

http://oitocolunas.blogs.sapo.pt/



Escrito por Tiago às 20h58
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SIMPLEX VERITAS

A perversidade “sine qua non” do enquanto meramente humano é o egoísmo. A situação de momentaneidade do vício está no percalço rotineiro da existência humana; presencia-se desde os tempos remotos, num beijo traidor, a complementaridade do amor fugaz. O egoísmo retém tudo para si, orgulha-se da lisonja, e permanece intacto; o egoísta cria a mania de que os outros estão excessivamente errados da sua própria ignorância – a ambigüidade foi inevitável. Nesse sentido é próprio do egoísta observar os liames do seu umbigo, lembrá-lo continuadamente que faz parte do corpo. A própria noção do egoísmo se espalha com a mínima fagulha de caridade, virtude nobre, presente em poucos. Pois, o verdadeiro amor não retém em si, contempla com sacrifício, não há amor sem parcela de perda, de uma doação sem benefício de quem doa. Tal é o motivo do amor ser raro, um verdadeiro fruto divino. 

Relacionamentos humanos devem buscar essa fagulha, por mais frágil que ela possa ser, por compreender num breve espaço de tempo a eternidade. Verdadeiras mães que vêem seu filho nascer com anencefalia, sacrificando-se, em todo caso, em ser mãe por um breve instante, demonstram essa breve fagulha, a que se dá o nome de caridade mais pura. Destas pessoas que o mundo precisa, talvez, paradoxalmente, são elas que estão mais distantes desse mundo.

 



Escrito por Tiago às 17h47
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Homenagem aos jovens de espírito.

Por David Bowie:

"Never Get Old"

Better take care
Think I better go, better get a room
Better take care of me
Again and again

I think about this and I think about personal history
Better take care
I breathe so deep when the movie gets real
When the star turns round
Again and again
He looks me in the eye says he's got his mind on a countdown 3-2-1
Forever

I'm screaming that I'm gonna be living on till the end of time
Forever
The sky splits open to a dull red skull
My head hangs low 'cause it's all over now

And there's never gonna be enough money
And there's never gonna be enough drugs
And I'm never ever gonna get old
There's never gonna be enough bullets
There's never gonna be enough sex
And I'm never ever gonna get old
So I'm never ever gonna get high
And I'm never ever gonna get low
And I'm never ever gonna get old

Better take care

The moon flows on to the edges of the world because of you
Again and again
And I'm awake in an age of light living it because of you
Better take care
I'm looking at the future solid as a rock because of you
Again and again

Wanna be here and I wanna be there
Living just like you, living just like me
Forever
Putting on my gloves and bury my bones in the marshland
Forever
Think about my soul but I don't need a thing just the ring of the bell in the pure clean air

And I'm running down the street of life
And I'm never gonna let you die
And I'm never ever gonna get old
And I'm never ever gonna get
I'm never ever gonna get
I'm never ever gonna get old
And I'm never ever gonna get
And I'm never ever gonna get
Never ever gonna get old

 



Escrito por Tiago às 18h02
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