" O segredo do Bonzo"
Prezado futuro jurista postulou-me que nos Tribunais acerca da “verdade” nada se sabe, mas apenas da convicção, ou seja, convenciona-se a partir da conveniência do momento, enfatizando a peça do juiz, sentença, que faz o círculo quadrado e vice e versa. Dito isso, sobrepôs o céu e a terra e postulou no mundo; daí a realidade ser mera interpretação do sujeito que emana e do ouvinte que aceita. Daí tomei a opinião como crença e logo fui ler aquele que é, talvez, o mais – desinterpretado- dos nossos escritores, Machado de Assis, e o " O segredo do Bonzo", conto espirituoso sobre o charlatanismo.
Eis o link:
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/bonzo.html
Escrito por Tiago às 21h30
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Direito Penal capenga
Peculiaridade moderna é a multiplicação de teorias sobre determinado ente. Faculta-se ao sujeito do conhecimento determiná-lo através de mecanismo a priori da consciência; não há ente independente da consciência que o molda. A particularidade do conhecimento “subjetivo” da consciência leva ao tão famoso relativismo cognoscitivo. Funda-se com a premissa um sistema de conceitos, mas o mesmo, por alegoria, não passa de um edifício com pé de barro; despenca a mera sugestão da critica filosófica sobre os princípios.
Um exemplo contundente no âmbito do Direito são as conclusões do tipo: “o crime não existe” e “co-culpabidade”. A primeira forma ridícula de ser não passa de resquício retórico, filhote de Górgias. Apreende-se que o crime é um “dado ôntico”, objeto real que se configura na conduta positiva ou negativa do agente segundo determinado fim: matar, roubar, furtar, etc... ou seja, o agente conscientemente pratica o chamado “ fato típico” previsto pela “ norma” que nada mais é que a constatação do fato real. Não há como imaginar, a menos que se tenha uma imaginação primorosa, que o crime não exista, que o individuo não o pratica enquanto tal, mas que seja mera sugestão de sua mente. Simplesmente é como matar alguém por despropósito e escusar-se da prática do fato. Já o segundo é terminantemente “causalista” ao considerar a “sociedade” como culpada do crime que o agente praticou. O argumento seria como o atuante praticar o crime em conseqüência às suas situações materiais, cuja culpa é minha, sua e de outrem. Certifica-se que a realidade é dividida em classes de pessoas com condições materiais e aquelas que não as têm, sendo estas “ menos culpadas” que outras. Toda conduta humana dirigida a um fim, sendo este pensado com diligência, não há como culpar a “fome”, “a desigualdade social”, o presidente norte-americano pela morte do João da Silva. Falta as essas teorias razoabilidade da sugestão racional sobre os princípios. Sobretudo um controle de paranóia.
Escrito por Tiago às 16h38
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Apreciando Gustav Mahler e...
Segundo Otto Maria Carpeaux em " A idéia de universidade e as idéias das classes médias" :
" Jamais esquecerei o dia em que entrei pela primeira vez, com toda a ingenuidade dos meus dezoito anos, no solene recinto da Universidade da minha cidade natal. Um pórtico silencioso. Nas paredes viam-se os bustos dos professores que ali estudaram e ensinaram; no busto de um helenista lia-se a inscrição: "Ele acendeu e transmitiu a flâmula sagrada"; e no busto de um astrônomo: "O princípio que traz o seu nome ilumina-nos os espaços celestes." No meio do pátio, num pequeno jardim, sob o ameno sol de outono, erguia-se uma estátua de mulher nua, com olhos enigmáticos: a deusa da sabedoria. Silêncio. Não esquecerei nunca.
A decepção foi muito grande. Via a biblioteca coberta de poeira, os auditórios barulhentos, estupidez e cinismo em cima e em baixo das cadeiras dos professores, exames fáceis e fraudulentos, brutalidades de bandos que gritavam os imbecis slogans políticos do dia, e que se chamavam "acadêmicos".
A última vez que passei perto deste "templo das Musas", o edifício estava fechado; os estudantes haviam-se juntado a uma imensa manifestação popular. Sabia muito bem o que isso significava para mim: um adeus para sempre. Olhando pelas frestas das portas monumentais — estávamos na primavera — via sob a luz branda do sol os pórticos, as velhas pedras, o jardim, e a deusa nua, tendo nos lábios o sorriso enigmático da morte. E reconheci um fim definitivo.
Por toda parte, as universidades são doentes, senão moribundas, e isto é grande coisa. Os iniciados bem sabem que não é esta uma questão para os pedagogos especializados. Das universidades depende a vida espiritual das nações. O fim das universidades seria um fim definitivo. O abismo entre o progresso material e a cultura espiritual aumenta de dia para dia, e as armas desse progresso nas mãos dos bárbaros é fato que clama aos céus. Os edifícios das universidades resistem ainda, e neles trabalha-se muito, demais, às vezes, mas o edifício do espírito, esta catedral invisível, está ameaçado de cair em ruínas. Em tempos mais felizes a sueca Ellen Key dizia com sutileza: "Cultura é o que nos resta depois de termos esquecido tudo quanto aprendemos." E, deste modo, somos riquíssimos de saber e mendigos de cultura. Hoje em dia Herbert George Wells pode dizer: "We are entered in a race between education and catastrophe." "Entramos numa corrida entre educação e catástrofe." Aí está a questão da Universidade. "
Continua: http://www.oindividuo.com/carpeaux1.htm
Escrito por Tiago às 21h45
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Na medida de todas as coisas.
É provável que coexistam cinco “linhas de pensamento” num mesmo ambiente, desde que os indivíduos sejam absolutamente incomunicáveis; algo parecido ao ambiente universitário. Emendo que a natureza da palavra “linha de pensamento” nasceu de aspirações de hipnose sobre galináceos, nos quais uma linha de giz atraia o monitoramento das paixões, o mesmo acontece com ratos experimentais através do choque, ou pessoas cuja máxima é obter cultura através da “literatura jornalística”.
Escrito por Tiago às 20h05
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Vi Hegel se mexer no túmulo.
Denomina-se de artista...
Conceitua-se de burro. Artista que é artista tem comichão. Diz que sua arte não serve para “ ser compreendida”, ou “ eu fiz desse jeito para as pessoas não compreenderem”, ou “ sou muito abstrato”. Alia-se ao fato de que amam uma tal de “ pós-modernidade” que só serve de consolo para Marcuse e como pretexto para teoria da conspiração*. Servem para promover saraus. Se a arte não serve para ser compreendida, então não serve para nada, afinal...
* Paranóia na qual uma idéia substitui o real.
Escrito por Tiago às 11h56
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