Politicamente incorreto


Dizem que Don Corleone era relativista!

Alguns temas usuais poderiam estar na pauta, como uma ficha catálogo para as idéias mais brilhantes: análise descritiva da hipocrisia humana, tema de filosofia contemporânea, arte-moderna-e-esquizofrênica, tratados e best sellers sobre a psicologia e o relativismo.  Alguém, talvez, obrigou-me a argumentar sobre o relativismo, mesmo não querendo, mas tentarei usar algo bem sutil parecido ao tapa com luva de pelica.

 

O relativismo é uma espécie de hábito indeciso. É a forma que o  sujeito usa para fugir das deliberações mais sagradas . A postura é deliberar sobre todas as coisas de uma forma inconveniente, lambendo o prato de cada filosofia satisfeito com a conclusão: “todas são válidas”, apesar de não ter nenhuma; ou aceito esta, pois lambi o prato mais freneticamente.

 

É curioso observar discussões deste tipo com certa polidez e bom- mocismo: as pessoas não se intimidam, elas acreditam obstinadamente que qualquer coisa vale a pena, desde que você tenha uma crença bem subjetiva. Não, qualquer coisa mesmo, até as mais absurdas, como o nazismo, comunismo, fascismo, ou qualquer movimento filosófico retirado propriamente de uma neurose.

 

A Cura:

( Separo assim pois é uma coisa-muito-distante)

 

Há um método que funciona. Jogue uma bigorna para cima, olhe-a caindo e reflita. É um sofrimento atroz. Se não há uma escolha verdadeira, as coisas procuram funcionar desse jeito.



Escrito por Tiago às 14h36
[ ] [ envie esta mensagem ]


ARTIMANHAS DE ISABEL BISPO

I. Uma arte toda sua ( em paráfrase alheia)

" The ar of losing is not hard to master;

so many things seem filled with the intent

to bem lost that their loss is no disaster..."

 

A arte de perder vem com facilidade:

em tantas coisas há uma tal propensidade,

um tal amor à perda, que dá mesmo vontade

 

de perdê-las. De início, perde um item por dia:

molho de chaves, papelada, a hora vadia

esperdiçada- perde e aprende a mais-valia

 

da arte desastrada de perder... Mais à frente

perde com mais audácia, sê bem mais diligente:

perde nomes, lugares, a viagem iminente

 

que ficou por fazer, entre um talvez e um quando.

Perdi o relógio de mamãe e um dia, olhando

Minha última casa ir se juntar ao bando

 

Das que se haviam ido, fiquei bem deprimida,

Sofri, mas não morri. Afinal, é a vida.

A arte de perder, desastrosa e fingida,

 

despede-se mas volta: perdi duas cidades

( belíssimas!), um rio e, trêmulas de saudades,

perdi um continente inteiro! Mas quem há de

esquivar-se a um mistério, se a arte de perder,

desastre ou não desastre, é algo inerente ao ser?

Perder-te, por exemplo, pouco a pouco esquecer,

 

ou já nem ver direito um gesto teu, um modo

todo teu de dizer...Aceito-o; não de todo,

é claro, algo se insurge, escapa, cai de lodo

 

de enxurrada da vida, mas que se há de fazer?

Eu recomendo dar de ombros, pois perder

Dói sim, mas ( toma nota!). Ensina-te a escrever...”

 

Mundo como Idéia--- Bruno Tolentino

Escrito por Tiago às 16h36
[ ] [ envie esta mensagem ]


Uma consideração...

Porque o Direito Administrativo aprofunda o conhecimento do Estado?

 

Um livro do Curso-para-iniciar-contribuintes ensina que o Direito Administrativo é “ conjunto harmônico (sic) de princípios jurídicos que regem os órgãos , os agentes, e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os... (esperem...) fins desejados pelo Estado”. ( Hely Lopes Meirelles) .

 

A definição é perfeitamente clara, e concisa. Reparem que esse conjunto harmônico corresponde a 790 páginas de um livro sobre estrutura administrativa, clausulas, revisões, funcionários públicos, responsabilidade civil, punição, órgãos de controle, intervenção em propriedade... Bem, é preciso ressaltar realmente a harmonia.



Escrito por Tiago às 21h51
[ ] [ envie esta mensagem ]


Isto não é um cachimbo

 

René Magritte, certamente delineou a pintura do objeto sem pensar nos compêndios do Direito. A intenção do pintor era mostrar que o cachimbo na tela  evidentemente  “Não é um cachimbo” real, objeto exterior a consciência, mas apenas a imagem deste, cujo artista adequou à pintura. Objeção: os estudantes não vêem uma relação entre arte do Direito e o cachimbo. Paciência...  eles preferem defender em passeatas os direitos subjetivos, nascidos da razão pura: os direitos à liberdade, igualdade e fraternidade e, portanto, esquecem que a subjetividade cortou-lhes  a consciência. Há um fim real para a circunstância: “Agora não pensa, porque não existe Procurando a analogia correta, além das cabeças cortadas, os direitos subjetivos representam o cachimbo na pintura;  será difícil encontrar quem possa fuma-lo.”

Para começar,  o estudante pode abrir a Lei de Introdução ao Código Civil e ver um princípio  de fumaça imaginária no Art 4: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”. Se a lei for omissa, o juiz poderá utilizar todos os preceitos. Mas qual o fundamento e o método utilizado? Como o cachimbo, coisa em si,  pertence só a mente de Protágoras, o direito surgirá de “teorias gerais” , modernas por excelência. Imediatamente aparece o  contrato social, no qual indivíduos “naturalmente livres” decidem o monopólio das leis estatais, o positivismo legalista.  O direito é uma norma da conduta humana e Lei é soberana  , justa e hierárquica. Existe um conceito de validade entre normas. O positivista diz que a norma pura  pode conter qualquer “juízo de valor”. Se o estudioso tiver curiosidade, verá que no final da Lei de Introdução o nome de Getulio Vargas .Dirá o positivista: “As fontes estão na Lei” (traduz Getulio Vargas) . Felizmente as fontes não são textos, mas estes são resultados das fontes. Todavia se o jurista não ficar satisfeito com a subsunção da norma ao fato e a assinatura do ex-presidente , poderá recorrer à sociologia jurídica. Esta  teoria diz que como os legisladores não possuem toda a razão, esta virá de outro lugar: o grupo social. As sentenças contradizem os fatos sociais, dizem eles. Portanto, o juiz deve julgar de acordo com as “crenças” no âmbito social! Pretende-se encontrar a “razão” na opinião do grupo;   “subjetividades” constituídas de parcialidade. Seremos parciais antes da sentença? No caminho oposto está a escola do direito vivo: o julgamento segue o instinto, as intuições e os preceitos de “ classe”. O juiz é livre para arbitrar  sua decisão. Tal liberdade beira ao irracionalismo. Enfim, perguntemos ao estudante: das teorias que apresentamos chegamos alguma conclusão? Isto não é o Direito! O magistrado deve escolher entre objetivos, e não ser um deles.  As “teorias gerais do direito” nascem dessa tentativa impraticável de dar vida à pintura, à representação da mente, ao drama da razão que rapta o real, a verdade, a objetividade e a justiça. Surge o conflito de métodos; doutrinas contraditórias que não conseguem atribuir uma finalidade real ao Direito.

 



Escrito por Tiago às 15h59
[ ] [ envie esta mensagem ]


Continuação: Isto não é um cachimbo

Para resgatar a finalidade precisamos voltar ao livro V da Ética a Nicômaco, ao Direito Romano e à Dialética antiga.

 

Aristóteles definiu o oficio do juiz : a justiça particular corresponde à “justiça distributiva”: a divisão  proporcional dos objetos exteriores:  bens,  riquezas,  honras, competências, dando a cada um o seu direito; e a justiça corretiva:   igualdade aritmética em relação ás trocas efetuadas entre indivíduos e a cidade. O Direito  é forjado pela Dialética, arte do discurso. Este se inicia quando as partes não estão de acordo em relação ao bem exterior, ou no Direito Penal, no qual o particular não concorda com a cidade.  Os meios para essa justa divisão correspondem à experiência particular dos juristas. O raciocínio dialético se caracteriza pela incerteza de suas premissas. O primeiro passo é colocar um problema: de quem é o cachimbo? Há um confronto de opiniões, no qual cada parte defenderá sua tese, persuadindo através de raciocínios rigorosos. O juiz deve aplicar a sentença no caso concreto, buscando a verdade, ou seja, atribuindo o cachimbo ao seu dono. O procedimento é uma constante nas leis escritas, só há direito quando há essa relação objetiva entre bens e pessoas.   Da regularidade destas decisões forma-se a jurisprudência, corpo de “regras gerais” que derivam de uma existência real das coisas. O Manual de Gaio, obra remanescente da jurisprudência romana,  separava regras gerais e definições para entes reais: livro 1 para as pessoas, livro 2 e 3 para as coisas, posteriormente defina espécies de coisas. Aristóteles, na Política, observa as constituições do seu tempo, analisa, demonstra que a cidade era formada por trabalhadores manuais e intelectuais, ricos e pobres, governantes e governantes, e confirma a existência natural da família. Na Ética a Nicômaco descreve os comportamentos do homem corajoso, temperante, sábio, de acordo com a observação da natureza humana.

Será que depois desse discurso os estudantes concordarão com os fundamentos reais do Direito? Ou se dedicaram demais aos sonhos dos “direitos humanos”? Veremos estudantes na defesa dos direitos dos animais? Carreguem a política das manifestações, mas não se  esqueçam de levar, cada qual uma placa com os dizeres: “Isto não é o Direito”.



Escrito por Tiago às 15h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


Intróito ( homenagem ao academicismo)

Há uma obsessiva petulância nas pessoas, talvez por imperfeição da obra, a mania de explicação. O título para isto, politicamente incorreto, enseja várias explicações, porém só procuro uma ; algo súbito. Isto é fruto da tradição antiga; e não colabora com a significação imediata. O pai disto era um amontoado de personagens, textos e reflexões. E foi reaparecer num momento de maior experiência. Se ao estranho leitor confunde, não permitirei maiores indagações.

 

Entremos num prólogo que explica a atual situação.

 

Em tópicos:

 

1-     Sou estudante de Direito da Puc-Campinas. Conceitualmente amplo. Pois bem, das minhas investidas no campus encontro algo do tipo: “ juventude revolucionária socialista” em todo lugar, como se fosse algo paranóico, um Tristero de Pynchon, com a repetição de panfletos, cujas palavras esparsas confundem a mente: Entidade Filantrópica- Estatização do Ensino , inadimplente-não-precisa-pagar, problema do “ sistema”. Estudantes politizados carregam fielmente essas idéias. Ingenuidade, desde quando sou perseguido por um sistema? Devendo a culpa é minha, se retiro por um instante, coloco imediatamente no Estado-Babá, pois é o único que alimenta inflação, impostos, regulação da atividade econômica e conseqüentemente pobreza. Por isso eu não pago. Estudantes politizados realmente adoram cuspir para cima.

 

2-     A faculdade ideal é aquela em que estudantes politizados lêem Ortega y Gasset, acomodados nos cantos; quando alguém passa o que está lendo cumprimenta  com algum comentário literário:

 

A missão do chamado “intelectual” é, em certo modo, oposta à do político. A obra intelectual aspira, com freqüência baldada, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto a do político sói, pelo contrário, consistir em confundi-las mais do que estavam. Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a “realidade” do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias.”

 

E o outro responde: Desculpe, estou relendo Górgias de Platão.

 

3-     Essa repetição é uma forma de tentar sair do mundo universitário. Está programada uma manifestação, todos de negro, em prol da ética, blá...Hum, será que cada estudante, ao gritar o discurso correto, conhece o que é Ética?

 

4- A explicação de qualquer paranóia, inclusive esta com tópicos, origina-se de um romance mal compreendido.

Escrito por Tiago às 19h43
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico
01/11/2007 a 30/11/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
01/12/2004 a 31/12/2004
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/07/2004 a 31/07/2004
01/06/2004 a 30/06/2004
01/05/2004 a 31/05/2004
01/04/2004 a 30/04/2004
01/03/2004 a 31/03/2004
01/02/2004 a 29/02/2004




Outros sites
 Wunderblogs
 Oito Colunas- casa nova
 Oito Colunas
 O Esquisito
 Austríaco
 Contra Ilusão
 Direita
 Patinando com o Alter-Ego
 Fabio Ulanin
 Método da Suspicácia
 O Indivíduo
 Blogico
 Zadig
 Nadando contra a Maré
 Se.liga.com.BR
 Grimaldo
 Amigos da América
 Fora do mundo
 Dardanus
 Filthy McNasty
 Mises Institute
 Lew Rockwell
 Stanley Kubrick
 Bob Dylan
 T.S.Eliot
 Mídia Sem Máscara
 Diego Casagrande
 E-books
 Aristóteles
 Machado de Assis
 Permanência
 Instituto Liberal-RJ
 Alguns bons artigos
 Xavier Zubiri
 Eric Voegelin
 Michel Villey
 Marcel Proust
 Antígona
 Associação Cultural Santo Tomás
 Olavo de Carvalho
 Mendo Castro Henriques
 Pequeno-burguês
 Cosa Mentale
 Claudio Tellez
 Cinema elegante
 Plural
 Meta o pé na jaca